<<< Deslize para mais conteúdo >>>
REVISTA Edição digital #76
36ª Bienal de São Paulo em Berlim
Alfredo Jaar fica otimista sob o céu de Fortaleza
Detalhes
A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da
Detalhes
A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba anuncia o título, o conceito curatorial e a identidade visual de sua 16ª edição, que acontece em diversos locais da cidade e do estado do Paraná, dentre eles o Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Vivemos um momento de transformação, em que as fronteiras entre o humano e suas tecnologias, o natural e o artificial, tornam-se cada vez mais fluidas. Diante desse cenário, a edição deste ano apresenta o título LIMIARES, propondo um espaço de passagem e reflexão sobre as mudanças que atravessam o presente e apontam para novos modos de existir e de criar. A edição será conduzida pelas curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, bem como por uma equipe multicultural de curadores convidados.
O conceito curatorial entende este momento limiar em que vivemos também como um espaço fértil no qual a arte atua como mediadora entre mundos. Habitar essa fronteira e criar a partir da incerteza orientam uma proposta que se assume como um espaço de troca entre diferentes áreas do conhecimento e culturas. Para as curadoras Adriana Almada e Tereza de Arruda, “mais do que um conceito, LIMIARES é uma atitude curatorial: habitar a fronteira, permanecer no entre, criar a partir da incerteza, gerando novos caminhos”.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba promove o diálogo entre artistas, pesquisadores, cientistas e estudantes, convidando o público a refletir sobre como estar presente em um mundo em fluxo acelerado e a imaginar novas formas de coexistência. Acesse o statement curatorial aqui.
Marcando o aguardado retorno ao formato presencial após a edição totalmente online de 2021, a 16ª Bienal Internacional de Curitiba apresentará exposições de grandes artistas de diferentes origens e que atuam em múltiplos suportes, do material ao virtual. É um retorno necessário ao circuito mundial da arte, que reforça o posicionamento da América Latina como uma potência cultural. Na sua última edição presencial, em 2019, a Bienal Internacional de Curitiba atraiu mais de um milhão de visitantes.
Serviço
Exposição | 16ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
De 14 de junho a 15 de novembro
Locais
Museu Oscar Niemeyer, Museu Paranaense, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu da Imagem e do Som, Museu Alfredo Andersen, Museu da Fotografia, Museu da Gravura/Memorial de Curitiba, Museu Municipal de Arte, terminais de ônibus e outros espaços de Curitiba.
Período
Local
16ª Bienal Internacional de Curitiba - Sede Principal
Rua Marechal Hermes, 999 — Centro Cívico, Curitiba - PR
Detalhes
Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades
Detalhes
Qual a diferença entre ver uma obra de arte e participar dela? A pergunta orienta “Uma Obra: Pintura sem fim”, nova edição do projeto convida crianças, famílias e visitantes de diferentes idades a construir coletivamente uma pintura em constante transformação.
Criado em 2021, o projeto “Uma Obra” investiga diferentes formas de aproximação entre público e arte, explorando as múltiplas interpretações, conexões e experiências que podem surgir a partir de uma única obra de arte. Em suas duas primeiras edições, apresentou trabalhos do acervo da Pinacoteca. Agora, pela primeira vez, o projeto dá origem a uma obra inédita, concebida especialmente para essa mostra. Desenvolvido pela Área de Ação Educativa em parceria com a Área de Pesquisa e Curadoria da Pinacoteca, o projeto evidencia um modelo de trabalho cada vez mais presente na instituição, que aproxima processos educativos e curatoriais desde a concepção das exposições.
A nova edição surge em diálogo com “Para Crianças: experiências com arte desde 1968”, em cartaz na Pina Contemporânea de maio até 18 de outubro de 2026, e integra um movimento mais amplo da instituição de aprofundar suas ações voltadas à infância. A proposta parte da percepção de que crianças pequenas ainda encontram diferentes barreiras de acesso aos espaços museológicos e busca criar experiências que dialoguem com suas formas de descobrir, explorar e se relacionar com o mundo.
Para desenvolver o projeto, o museu convidou Gui Teixeira, artista que investiga as relações entre arte e pedagogia, brincadeira, participação e criação coletiva. Em sua produção, o público é frequentemente convidado a construir, reorganizar e transformar elementos da própria obra, tornando-se parte ativa da experiência artística.
O resultado desse encontro é “Pintura sem fim”. Na instalação, uma grande parede revestida por carpete recebe centenas de peças de feltro colorido que podem ser livremente manipuladas pelos visitantes. Ao combinar formas, cores e tamanhos diversos, o público cria figuras, paisagens, personagens, composições abstratas ou aquilo que sua imaginação permitir.
Como sugere o próprio título, a obra nunca alcança uma forma definitiva. Cada nova intervenção transforma aquilo que foi construído anteriormente, fazendo do trabalho um processo contínuo de invenção compartilhada. Mais do que observar uma obra pronta, os visitantes são convidados a participar de sua construção.
Embora pensada a partir das experiências da primeira infância, a instalação foi concebida para acolher públicos de diferentes idades e incentivar encontros entre crianças, jovens e adultos.
“Uma Obra: Pintura sem fim” é correalizada pelo Instituto Tecendo Infâncias.
Serviço
Exposição | Uma Obra: Pintura sem fim
De 4 de julho a 31 de janeiro de 2028
Quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.
Período
Local
Pina Luz
Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP
Detalhes
Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a
Detalhes
Em um dos vídeos apresentados na exposição Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação, a artista observa que a paisagem influencia a obra daqueles que a habitam. A afirmação sintetiza aspectos centrais de sua produção, marcada pela observação da natureza, do corpo e dos ciclos da vida, em diálogo com materiais naturais e referências da paisagem mineira. Esse universo poderá ser visto nessa mostra que o Itaú Cultural (IC) apresenta em três andares do espaço expositivo.
Com curadoria de Franklin Espath Pedroso, a exposição reúne cerca de 150 desenhos inéditos, 10 filmes experimentais e uma instalação derivada de Campos peregrinos, trabalho apresentado por ela em Glasgow, na Escócia, em 2025. É a primeira vez que a artista reúne sua produção audiovisual em uma exposição. A concepção, realização e projeto de acessibilidade são da equipe do Itaú Cultural. O curador também assina o projeto expográfico ao lado de Leila Scaf Rodrigues.
Solange nasceu em Ferros (MG), em 1961, e desenvolve há mais de quatro décadas uma obra que articula desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo. Ela é reconhecida por pesquisas que incorporam materiais naturais e procedimentos ligados à observação da paisagem e dos processos de transformação da matéria.
Nos últimos anos, o seu trabalho tem alcançado ampla presença internacional. Atualmente, Solange se prepara para participar da Bienal de Toronto, no Canadá, em setembro. Ainda monta uma exposição individual, que abrirá em outubro na Fundación Botín, na Espanha. A artista também foi convidada pela Fondation Cartier, na França, para realizar uma grande mostra de sua obra em 2027. No Brasil, ao reunir obras inéditas, trabalhos recentes e uma seleção significativa de filmes, a exposição no IC oferece um panorama de aspectos centrais de sua produção e de seu percurso artístico.
A Exposição
Um dos destaques de Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação ocupa quase todo o primeiro andar do espaço expositivo do Itaú Cultural. Trata-se da instalação Campos peregrinos, um desdobramento da obra criada para o centro de arte contemporânea Tramway, em Glasgow – um espaço instalado em um antigo depósito de bondes, que se tornou referência cultural europeia, oferecendo exposições visuais e apresentações de dança e teatro.
A versão apresentada no Itaú Cultural reúne peças em bronze e cerâmica a materiais como capim-membeca, paina, camomila, macela, folhas secas, algodão, folhas e fubá, elementos recorrentes na investigação desenvolvida por Solange a partir de referências dos cerrados e das matas brasileiras. A obra propõe uma experiência sensorial que ultrapassa o olhar, envolvendo cheiros, texturas, dimensões e sons emanados pelos materiais que compõem a instalação.
Neste mesmo piso, é apresentado o seu novo filme, Desjardim, realizado especialmente para a mostra. Parceria de Solange com o cineasta João Vargas Penna e com o músico Livio Tragtenberg, a produção cria conexões sensíveis em obras, com melhores condições técnicas e de produção.
Em contraste com as instalações e os desenhos de grandes dimensões realizados pela artista nos últimos anos, o piso -1 do Itaú Cultural apresenta trabalhos que evidenciam uma dimensão mais íntima de sua obra ao reunir aproximadamente 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores. Realizados desde os anos 1990 até a atualidade, eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários em trabalhos produzidos com materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, Merthiolate e gordura.
Ao longo do tempo, esses materiais passaram por seus próprios processos de transformação, incorporando à obra questões centrais para a pesquisa da autora: a matéria, a passagem do tempo e os ciclos da natureza. Entre o animal, o vegetal e o mineral, os desenhos apresentam formas híbridas e paisagens em permanente mutação, sintetizando temas que atravessam mais de quatro décadas de produção.
Por sua vez, o piso -2 apresenta uma cronologia da vida e obra da artista e tem como destaque uma seleção de 9 filmes experimentais produzidos ao longo de sua trajetória, reunidos pela primeira vez em uma mostra dedicada a ela. Embora menos conhecidos do público do que suas esculturas, desenhos e instalações, os trabalhos evidenciam uma investigação constante da imagem em movimento como extensão de sua pesquisa artística.
As obras acompanham processos de transformação da matéria e a ação do tempo sobre elementos como minerais, metais, água e fogo. Corpos, paisagens naturais, jardins, cavernas, espaços domésticos e sítios históricos aparecem com frequência, não apenas como cenários, mas como agentes que participam da construção das imagens. Em alguns trabalhos, registros de ações e performances também destacam a dimensão corporal presente em sua produção.
Serviço
Exposição | Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação
De 4 de agosto a 1º de novembro
Terça a sábado, das 11h às 20h; domingos e feriados, das 11h às 19h
Pisos 1, -1 e -2
Período
Local
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Sâo Paulo - SP
Detalhes
Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções
Detalhes
Depois de quase meio século de uma trajetória construída no Brasil, Olivier Anquier anuncia a abertura do Arquivo Anquier, espaço voltado à memória, à fotografia, às emoções e às histórias do Brasil. Localizado na Praça da República, no centro da capital paulista, próximo a outros negócios de Olivier, o Arquivo Anquier chega para ampliar esse território de encontros e despertar novas sensações. Pensado como um espaço vivo, aberto a exposições, experiências e atividades culturais, o projeto pretende também contribuir para o movimento de redescoberta do Centro de São Paulo, convidando paulistanos e visitantes a olhar novamente para a região, caminhar por suas ruas e reencontrar o coração da cidade.
“Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil” será a exposição inaugural do espaço, marcada para 16 de setembro, a partir das 12h. Com 55 fotografias autorais, ela convida o público a percorrer diferentes paisagens, personagens, cotidianos e tradições brasileiras registradas pelo olhar sensível de Olivier. Faz parte do primeiro arquivo real a sair do gigantesco baú imaginário do “Diário do Olivier”, programa criado e apresentado por ele em 1998, pelo canal GNT, e que percorreu o território brasileiro durante 20 anos em busca da essência do país e de seu povo. Olivier atravessou estradas, cidades, vilarejos e lugares pouco conhecidos de um Brasil que escolheu descobrir de perto, levando milhões de telespectadores junto com ele – muitas vezes a bordo de seu inseparável Fusca verde. Mais do que revisitar uma trajetória, o Arquivo Anquier nasce do desejo de abrir essas histórias ao público: imagens, objetos, personagens, encontros, descobertas e memórias guardadas ao longo de décadas e que agora ganham novas leituras.
O Primeiro Arquivo: “Diário do Olivier”
O primeiro arquivo, dedicado ao “Diário do Olivier”, revela uma faceta de Olivier Anquier que, apesar de acompanhá-lo desde a infância, permaneceu discretamente escondida do grande público: a de fotógrafo. A fotografia, no entanto, não surgiu com o programa. Ela acompanha Olivier desde a primeira infância, inicialmente através do olhar e das câmeras de seu pai, o médico François Anquier, e permaneceu presente ao longo de toda a sua vida de maneira íntima, quase tímida, raramente exposta como parte de sua trajetória pública. Agora, pela primeira vez, esse olhar deixa o arquivo pessoal e ocupa as paredes de uma exposição.
O projeto acontece também após Olivier receber sua primeira chancela como fotógrafo, ao ser convidado para ocupar integralmente a edição nº 46 da revista C, publicação da Galeria Carcará, dedicada à fotografia autoral brasileira.
“Essa é a primeira vez que abro meu baú de memórias, experiências e fotografias para o público. Sinto que chegou o momento de compartilhar em detalhes histórias que vivi nesses 20 anos de Diário do Olivier e lugares fascinantes que conheci pelo Brasil. Quero que todos tenham orgulho do nosso país; o país que me deu tudo e ao qual sou muito grato.”, afirma Olivier Anquier.
Um Arquivo que continua circulando
Após o encerramento de “Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil”, as fotografias e os objetos apresentados na exposição serão leiloados em formatos presencial e virtual. A iniciativa amplia o alcance do projeto para além do espaço expositivo e oferece ao público a possibilidade de adquirir peças que fizeram parte dessa história. O lendário Fusca verde também terá um destino especial: parte da renda obtida com sua venda será revertida à organização religiosa Missão Belém, ligada ao Centro de São Paulo e que atende e acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade.
Serviço
Exposição | Diário do Olivier: 20 anos descobrindo o Brasil
De 16 de setembro e 06 de dezembro
Quarta a sexta-feira, das 12h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 21h.
Período
Local
Arquivo Anquier
Praça da República, 36 - Loja 1, República, São Paulo - SP
Detalhes
A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper
Detalhes
A artista plástica paulistana Claudia Marchetti retoma a pintura com O Vaso de Ojuara, exposição que reúne 12 trabalhos inéditos no programa Zip’Up, que ocupa o andar superior da Zipper Galeria, a partir de 8 de outubro. O texto de apresentação é assinado pela crítica e jornalista Paula Alzugaray.
A relação da artista com o litoral norte começou ainda na infância, quando frequentava São Sebastião, área que na época tinha forte presença da Mata Atlântica, antes das mudanças provocadas pela crise ambiental e pela especulação imobiliária, que impactaram as comunidades caiçaras e ribeirinhas. Anos mais tarde, na pandemia, voltou a viver ali e permaneceu durante dois anos. Foi nesse período que a pintura tomou mais intensidade em sua produção.
Inspirada também pela experiência como escritora, Marchetti criou Ojuara, menina caiçara que reúne histórias de seu povo e das transformações do território. Cercada por cobras, jarros, ovos e peixes, a personagem incorpora elementos de seu imaginário e de sua vivência, que a artista leva para a pintura. Como observa Paula Alzugaray no texto de apresentação da mostra, “a ficção inspira a renovação de sua atividade artística e a pintura ressurge como matriz de um propósito maior que o pessoal, o de conectar-se a um meio ambiente e uma causa social junto às comunidades tradicionais ameaçadas”.
É nesse contexto que surge Mar de Lama (2026), uma das obras da exposição. Nela, Marchetti retrata as transformações que testemunhou no litoral norte de São Paulo após as chuvas de 2023, que provocaram deslizamentos e alteraram a paisagem da região. A pintura registra visualmente o acontecimento e as marcas que ali permaneceram.
O vaso que dá título à mostra nasce dessa mesma pesquisa. Para Marchetti, a imagem remete ao útero, ao que contém e gera, e conversa com os elementos que aparecem em suas telas. São formas que aparecem de maneira recorrente e se relacionam com a natureza e com referências culturais encontradas pelo território.
Ao incorporar essas questões mais recentes, o conjunto apresentado na galeria, mantém ao mesmo tempo, uma ligação direta com a pintura que Claudia desenvolvia antes de se afastar de sua prática pictórica. A figuração de formas simples e esquemáticas continua presente, agora atravessada pelo repertório que marca sua criação. Há, assim, uma continuidade visível entre os trabalhos de duas décadas atrás e aqueles que marcam sua retomada.
Esse vínculo com o lugar também se estende ao trabalho que Marchetti desenvolve junto à comunidade local. Parte da renda obtida com a venda das obras da exposição será destinada ao Instituto Verdescola, organização sem fins lucrativos que atua em São Sebastião na formação de crianças e jovens, onde Claudia faz trabalho voluntário com oficinas de artes visuais.
Como galerista, tem cerca de 40 anos de atuação no campo da arte. Formada pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e mestre em Artes Visuais pela Goldsmiths College, em Londres, participou de diversas exposições em que conheceu e popularizou no Brasil obras de alguns ícones da arte contemporânea, como Sarah Morris, Ai Weiwei e Ian Davenport. Mais tarde, fundou a ArteEdições, projeto voltado à ampliação e democratização do acesso ao mercado de arte contemporânea.
A artista lançou Ojuara – A Chuva na Mata Atlântica na ArtRio 2026, pelo selo Celeste. Escrito e ilustrado por Claudia, o livro infantil amplia para a literatura o imaginário que desenvolve em suas pinturas, retomando a personagem e os elementos que marcam sua trajetória.
Serviço
Exposição | O Vaso de Ojuara
De 08 de outubro a 18 de dezembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h, sábados, das 11h às 17h
Período
Local
Zipper Galeria
R. Estados Unidos, 1494 Jardim America 01427-001 São Paulo - SP
Detalhes
O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre
Detalhes
O que se dá à vista de um lugar é tanto o que se apresenta de imediato quanto aquilo que a intenção de um olhar recorta. Nesse movimento, entre o que se observa de um certo cenário e o que se mostra em imagem como fragmento dessa escolha, pode-se divisar o que a memória cria de maneira consciente e também quase sem querer. A exposição Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, na Cerrado Cultural apresenta um conjunto da produção desse artista que construiu um modo particular de visualizar seus motivos de pintura. Em sua trajetória, esteve comprometido com o olhar para um mundo próximo, vivencial e corriqueiro, encontrando nesse universo diferentes possibilidades para a pintura.
O recorte dessa mostra reúne obras realizadas entre os anos 1920 e 1980 e busca evidenciar características fundamentais de seu processo, que, colocadas em relação, permitem acompanhar as transformações no modo como Volpi construía suas imagens. Primeiro a partir daquilo que observava diretamente, depois a partir do que guardava na memória e, gradualmente, reelaborava imaginativamente. Com isso, o percurso da exposição possibilita perceber as diferentes dimensões que sua produção revela e que, ao longo do tempo, foram sendo reconhecidas e nomeadas pelos valores associados a uma arte modernista, colorista, abstrata e de caráter genuinamente brasileiro e popular.
Os lugares do olhar de Volpi que trazemos aqui dizem respeito, em um primeiro momento, a uma atenção dada por ele ao ofício prático em sua história de vida. Nascido em Lucca, na Itália, em 1896, chega com cerca de dois anos ao Brasil e desenvolve na juventude um aprendizado profissionalizante que o leva a exercer atividades como entalhador, marceneiro, encadernador e sobretudo como pintor decorativo. Nesta atividade, realiza painéis e murais residenciais na cidade de São Paulo, onde viveu praticamente toda sua vida, até falecer aos 92 anos. É instigante perceber, portanto, o princípio autodidata na pintura artística que desenvolve a partir de 1920, levando-o por uma experimentação figurativa e a interesses também na representação de marinhas, paisagens e cenas corriqueiras que realizava, naquele momento, por meio da prática de observação direta e sensibilidade na exploração de materiais e técnicas.
Uma transformação na pintura de Volpi irá ocorrer a partir de uma experiência do lugar da luz da pequena cidade. E é nesse momento que a paisagem de Itanhaém se torna uma referência nesse percurso de construção de si mesmo como artista da pintura. Ao frequentar a região, para onde sua esposa havia se mudado por questões de saúde, Volpi encontra uma antiga cidade do litoral paulista, fundada no século XVI, ainda pouco urbanizada e inserida em uma área costeira marcada por rios, praias, morros, vegetação diversa, atividades rurais e artísticas locais de caráter popular.
Mais do que registrar lugares ou situações, Volpi construiu diferentes horizontes da linguagem pictórica. Nessa produção, experimenta tanto a pintura a óleo, na qual explora o brilho, a transparência e a fusão entre os tons, quanto as obras em têmpera, que integram sua produção madura, e nas quais produz uma superfície mais seca e opaca, em que a textura do material se torna também uma característica marcante em seus trabalhos.
É o que se pode perceber em obras aqui apresentadas como Cidade do interior e Bandeirinhas estruturadas com mastro. É na relação com a matéria que se evidencia também um aspecto fundamental de seu olhar para as maneiras de fazer. Trata-se do vestígio do trabalho manual, que permanece na superfície e registra os movimentos da pincelada, a partir dos quais Volpi passou a compor campos de cor, criar contornos irregulares e explorar relações entre equilíbrio, contraste e ritmo. Na preparação artesanal da têmpera que ele mesmo desenvolvia, passou a estabelecer uma relação direta com os processos da matéria da pintura, desenvolvendo, por meio desses procedimentos, uma autonomia cada vez maior na construção de sua própria linguagem.
Assim, casarios, figuras em contraluz, relevos enviesados e frontões triangulares são redimensionados em relações de luz e, depois, em problemas de cor, forma, linha, ritmo e superfície. A curadoria parte, portanto, da intenção de pontuar aspectos desse percurso, entre a experiência do mundo visível e a elaboração da pintura. Mais do que acompanhar uma passagem da representação à abstração, interessa perceber como esses motivos se transformam e adquirem novos sentidos pelo lugar da reimaginação, quando a vivência passa a responder às questões da arte. É nessa dinâmica que o entendemos como o artista da complexidade do simples, de uma elaboração sofisticada a partir de elementos singelos, por meio dos quais se revelam, nas bandeirinhas, as festas populares, e, nas fachadas, a experiência das cidades e dos povoados do interior brasileiro.
Ao reunir obras provenientes de diferentes coleções, a exposição incorpora também trabalhos realizados em variadas técnicas de gravura e impressão. Esse movimento se articula ao interesse cultural da mostra em promover a pesquisa, aproximar acervos e ampliar sua visibilidade, abrindo espaço para novos encontros com a obra de artistas fundamentais para a história da arte brasileira. Em Brasília, esse reencontro com Volpi ganha um sentido particular, tendo em vista que sua obra esteve presente na história da cidade desde os primeiros anos de sua construção, por meio do mural realizado para a Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962, em um contexto de incompreensão quanto à sua relevância. Mais de quatro décadas depois de sua última exposição individual na cidade, esta mostra propõe uma nova aproximação com seu trabalho, oferecendo ao público, nos diferentes lugares que atravessam sua produção, também os caminhos de construção de seu olhar.
Cinara Barbosa
Curadora
Serviço
Exposição | Alfredo Volpi – Os lugares do olhar
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
Detalhes
Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é
Detalhes
Ao se transformar na lua, deixa-se de ser gente. Movimento completamente natural para um povo que em sua origem foi pescado. Nascidas da explosão dos joelhos de Ngutapa, é a partir deste tempo que Kuenan Mayu, artista Magüta (Tikuna) e Tariana, às margens do rio Ta’tü, aprendeu a pensar o mundo, não como uma narrativa fechada, mas como um ciclo contínuo de nascimento, transformação e encantamento.
Partindo de uma observação demorada sobre as séries “Eware” e “Pu’tchi”, o ritmo poético desta exposição deságua em um terceiro momento, preciosamente no diálogo entre as duas séries e na retroalimentação que nelas ocorre antes mesmo de serem nomeadas. Eware fundamenta a visão de mundo Magüta, ao passo que Pu’tchi dá continuidade ao percurso e abre novas questões. Eware é o lugar aonde se retorna após o encantamento, e carrega em sua cosmovisão a coexistência entre seres vegetais, humanos, não humanos e espirituais.
Se em Eware mergulhamos na origem, na história de Ngutapa e Mapana, dos joelhos que ao explodirem geram dois filhos e de Yo’í que pesca um povo inteiro das águas sagradas do rio, a série Pu’tchi se desloca para outro território: o das subjetividades e das corporalidades nomeadas como “dois espíritos”, para as quais não há palavra equivalente em português, embora, com muita desconfiança em relação à tradução, se possa dizer bicha.
Em Tawemücü Pu’tchi, com trabalhos inéditos apresentados pela primeira vez em Brasília, território de importância para sua formação, Kuenan reúne dezesseis obras em formatos variados, nos quais signos, elementos e perguntas se entrelaçam para pensar relações entre desejo, espírito e uma ancestralidade que não se restringe à espécie humana, mas que atravessa corpos, árvores, peixes e encantados. Seres organizados não pelo regime da separabilidade, mas pela transformação infinita e interespecífica.
Sobre a entrecasca sagrada do Ngõ’e (tururi), com pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, a artista aplica a técnica aprendida através da observação de suas anciãs, uma materialidade que é, ela mesma, receptáculo espiritual, e cujas cores se modificam com o tempo, em um processo similar ao corpo em permanente mutação. A lua ocupa lugar inefável na série, assim como orienta a extração do tururi, que deve ser retirado apenas em sua fase cheia. De início apresentada de forma separada, logo depois se unindo ao sol, culminando em uma espécie de eclipse, em correspondência a toda criatura que se permite viver o mistério da transformação. Uma lua bicha, Tawemücü Pu’tchi na língua materna. A junção dos elementos, a intersecção entre o divino e o sexual, em que as imagens de transição são, assim, naturais e espirituais, em uma reconfiguração e estado de passagem, um modo de existir sem fixação, que se move entre tempos e mundos, em constância.
Mandú
Curador
Serviço
Exposição | Kuenan Mayu – Tawemücü Pu’tchi
De 17 de Outubro a 13 de Novembro
Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Período
Local
Cerrado Cultural
SHIS QI 05 chácara 10 Lago Sul. Brasília - DF
Destaques
Quando o Cariri se vê
Jogar e Construir
Sujeitos que encontraram um modo próprio de dizer
O teatro detrás das grades
Carolina Ruas e os novos caminhos da cultura no Espírito Santo
Um século de rupturas e reinvenção
Inhotim celebra 20 anos e convida professores a uma reflexão crítica sobre seu acervo
























